terça-feira, 8 de janeiro de 2008

chato de fazer feio

Luís Gonçalves
Quando o Recesso Chegar...

*Especial para o Diário de Cuiabá


Só voltarei pra casa após a décima saideira. Ficarei mais tempo na rua observando a paisagem do recesso. Falar de política hoje em dia é chato de fazer feio, mas viver o recesso é algo pra lá de criativo.


O recesso é a primavera da parada política. Uma espécie de moda prática do cotidiano encardido. Sem recesso não há estilo; não há poesia, e política sem poesia é uma dramaturgia pouco complexa.


O recesso é a quinta hora do chove mais não molha. Aumenta a auto-estima do cidadão. Depois do recesso até o chopinho não esquenta. O papo fica sarado na manteiga. E a hora extra volta a valer à pena.


Durante o recesso a cidade se enfeita e se veste de luz para blindar a vadiagem. A maquilagem é alegre e festiva. Até o flanelinha bom de papo inova e ataca de gorro vermelho com barbelas brancas.


Os estacionamentos dos shoppings ficam abarrotados e os carros de luxo transformam-se em meros coadjuvantes no enredo desse filme de alta temporada. O recesso detona com todas as tradições fora de época.


Nas repartições as gavetas são esvaziadas gradativamente e tudo é motivo de graça. Até aquele projeto que ficou pra ser discutido no final, dançou! Acabou! Findou o ano e o recesso atropelou a agenda.


Depois do recesso nada será como antes. Os cabides enganam os ternos amarrotados e com marcas de suco de tomate envelhecido. Toda a alegria enlatada durante o decorrer do ano resolve arrasar no recesso.


Se o recesso fosse o espetáculo já estaria com a bilheteria esgotada. Mas durante o recesso sempre cabe mais um. O recesso é um momento único. Um espaço onde não existe lugar pra demagogia.


O recesso é uma forma democrática de quebrar paradigmas. É o momento de todos mostrarem com quantos paus se faz uma canoa. Quem pode, pode! Quem não pode se sacode!


Após o toque do recesso, só vigora a lei da badalação. Todo cidadão é obrigado a arcar com a responsabilidade de curtir o agito e rebentar com a boca no balão. Sinceramente, sem recesso não dá!


O recesso existe para ressuscitar o velho. Fomentar a curtição e emancipar a estripulia. O recesso é o caminho perfeito para um carnaval inesquecível e cheio de mamãe eu quero fazer frescura.


Aff... Chega dar uma gastura! Ô louco!
Pato

Um comentário:

Luciana disse...

eu tinha algo pra fala sobre isso, mas esqueci... foi mal!